A partir do século XVI, o território foi ocupado por gado, trazido pelos jesuítas das reduções. Em pouco tempo, o rebanho tornou-se bravio e selvagem, reproduzindo-se em mais de um milhão de cabeças.

A localidade conhecida como fundos dos campos de Vacaria, era rota de tropeiros vindos de diversos pontos do Estado em direção à Feira de Sorocaba e vice-versa. Por aqui paravam para descansar antes de prosseguir viagem. Esse caminho, teria sido aberto entre 1734 e 1736.

A quantidade de gado disperso, a beleza natural da região e a crise no comércio de mulas, por volta de 1840, atraíram posseiros de São Paulo e do Paraná, que passaram a dedicar-se à pecuária.

Logo começaram a surgir os problemas de legitimidade das posses. Foi este o caso das terras do fazendeiro José Ferreira Bueno, que tinha posse de uma fazenda de alguns milhares de hectares. José Ferreira Bueno era capitão da guarda nacional, com serviços prestados nas campanhas guerreiras do Sul. Possuía uma fazenda na Lapa, estado do Paraná.

Descobriu, nas suas andanças por estas bandas, os rebanhos de gado alçado e os campos propícios para a criação intensiva. Não teve dúvidas em se deslocar com parentes para fundar aqui, outra fazenda. Dois anos depois, por volta de 1842, o local foi escolhido para a fundação da vila, que, posteriormente, tornou-se município. Os pioneiros ergueram uma capela rústica com tábuas de pinheiro lascado a machado; construíram uma senzala e uma pequena casa. José Ferreira Bueno procurou contato com uma tribo de índios que habitava no local e foi incentivando o aprisionamento do gado, sem dono, para criar e tropear.

Posteriormente, José Ferreira Bueno marcou a data oficial para a fundação da povoação, no dia 25 de janeiro de 1845. Promoveu uma reunião de moradores e fazendeiros, improvisou uma festinha e fez a doação verbal da área de terreno com um milhão de metros quadrados para a edificação da futura cidade, com o nome de São Paulo de Lagoa Vermelha em homenagem ao padroeiro.

Os aborígines foram os primeiros habitantes da região e representavam os vários ramos da raça guarani. Depois disso, começam a chegar os imigrantes italianos, alemães e poloneses.

Em 1809 foram criados os primeiros quatro municípios do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Pardo, Rio Grande e Santo Antônio da Patrulha. Este último compreendia todo o nordeste gaúcho, indo do litoral até Lagoa Vermelha. Em 22 de outubro de 1850, foi criado o município de Vacaria, tendo Lagoa Vermelha como distrito, mas em 16 de janeiro de 1857 a sede do município foi transferida para Lagoa Vermelha. Os habitantes de Vacaria não se conformaram com isso e a insatisfação gerada levou a Assembleia Legislativa a extinguir o município, voltando ambos, Lagoa Vermelha e Vacaria, a pertencer a Santo Antônio da Patrulha (Lei Estadual nº 391, de 26 de novembro de 1857).

Em razão de incessantes trabalhos de pessoas influentes da região, foi criado, pela Lei Provincial n° 1.018 de 12 de abril de 1876, o município de Lagoa Vermelha, incluindo Vacaria. A Vila (município) de Lagoa Vermelha só foi instalada, porém, no dia 18 de janeiro de 1877.

A reação em Vacaria contra o novo município de Lagoa Vermelha foi forte. Seus líderes não se conformaram com a situação e, em 1 de abril de 1878, foi novamente criado o município de Vacaria, suprimindo-se o de Lagoa Vermelha. A freguesia de Lagoa Vermelha, pelo Ato de 15 de outubro de 1878, voltou assim à condição de distrito de Vacaria. Portanto, a primeira emancipação de Lagoa Vermelha, em 12 de abril de 1876, durou até 1 de abril de 1878, período em que a comunidade lagoense ficou sob a administração de uma Câmara de Vereadores nomeada.

A emancipação definitiva de Lagoa Vermelha viria a ocorrer em 10 de maio de 1881, pela Lei n° 1.309 e sua instalação definitiva, em 26 de janeiro de 1883. Até essa data, continuou subordinada a Vacaria.

FAMÍLIAS TRADICIONAIS

O primeiro Imigrante vindo das velhas colônias italianas para a sede foi Francisco Gentil, da família Gentili, da alta nobreza italiana, dos condes de Orange. Chegou aqui nos primeiros anos da década de 1880, casando com Maria dias de Morais. Foi nomeado juiz de paz por Borges de Medeiros em 28-02-1914, havendo prestado compromisso em Bento Gonçalves em 16-03-1914, documento assinado pelo escrivão do júri Augusto Geisel, pai do Presidente Geisel. Francisco Gentil tornou-se um rico Proprietário de terras na cidade, abrangendo inteiras quadras, e vasta extensão de campos. Foi comerciante e agente dos Correios.
A seguir vieram a sede as famílias de origem italiana: Salomoni, Cavani, Pizzamiglio, Bozza, Pedrotti, Dalla Valle, Bolsonello, Boff, Campana, Lenzi, Sbroglio, Sebben, Scalabrin, Sanson, Dolzan, Dal Molin, Casarin, Biasi, Cepo, Bearci, Tochetto, Galvan, Nicolodi, Bonotto, Ceni, Roman e muitos outros.
As duas primeiras famílias italianas – Castellano e Muliterno – não procediam das colônias velhas; vinham da Itália através do Paraná.
Descendentes de Ingleses ( Moojen ) veio para o Brasil Dr. John George Moojen, natural de Londres Inglaterra, casou-se com Liduína Eufrosina Garcez deixando nesta Região numerosos descendentes, entre eles o autor destas páginas, Árabes ( Nácul ) Alemães ( Hoffmann, Jacoby, Würzius, Kramer ) poloneses ( Stormowski Jamecki ) franceses ( Tevenet, Ducroquet ) espanhóis ( Garcez ) descendentes de João Moreira Garcez, nascido em Penafiel Portugal mas de origem Espanhola, veio para o Brasil com d. João VI, quando Napoleão invadiu Portugal, João Moreira Garcez, Trabalhava na corte de D. João VI como camareiro Mor ( Cargo que eqüivale hoje à chefe da casa civil ) seu filho Manoel Moreira Garcez que ficou no Brasil quando o pai voltou para Portugal junto a corte de D. João VI. A filha de Manoel Moreira Garcez casou-se Com o Dr. João George Moojen (médico Inglês) que um dia de chuva ao abrigar-se na casa de Garcez conheceu sua filha Liduína casaram e tiveram vários filhos que deu origem as famílias Garcez e Moojen, por isto que se diz que todo Moojen é Garcez, pois são todos descendentes de Liduína Eufrasia Garcez, mas nem todo Garcez é Moojen, pois Manoel Moreira Garcez teve outros filhos.Vieram também para Lagoa Vermelha descendentes de outras nacionalidades que trouxeram igualmente sua poderosa contribuição na formação do nosso torrão amado.