Conta-se que na época das Missões e Reduções Jesuíticas os padres acossados pelos mamelucos, procuravam esconder o seu gado e mais as relíquias das Reduções.

Numa certa ocasião vinham eles com uma caravana de índios e alguns cargueiros com bruacas, conduzindo ouro e outros objetos da riqueza sacra das Reduções.

Perseguidos pelos rapinadores num percurso de mais de cinquenta léguas, estavam na iminência de serem alcançados.

Ao depararem com o perigo à vista, apertaram o passo e quando já quase na presença dos perseguidores, não tiveram dúvidas em meter os muares carregados lagoa adentro. Os animais sob o peso da carga, puxados pelos índios, entravam na lagoa, submergindo, morrendo e sepultando consigo no líquido da lagoa a preciosa carga.

Daí então para cá, as águas tornaram-se de uma cor vermelho amarelada, que nunca mudou de tom, simbolizando o ouro sagrado.

A lagoa ficou perene em tudo, nunca mudou de cor, nunca aumentou de volume e também não diminui com secas; não transborda e a sua quietude no ambiente da plaga campestre constitui a proteção de uma riqueza inviolável e sagrada, confiada à sua perenidade.

Até hoje , ninguém pode desvendar o mistério da lenda.

A lagoa é bem profunda, existe muito lodo no leito e a população respeita com amor religioso o preceito da lenda. Essa fé à lenda, afasta os ambiciosos e ninguém se aventurou em profaná-la.

Assim foi e assim será, diz a lenda, porque se um dia alguém esgotar a fonte sagrada, secarão as águas dos rios e tudo se transformará em deserto.